21.3.09

Encontro

A saudade é anónima
Não diz quem é, nem de onde vem
É inconstante, vai e volta, sem rumo nem direcção
É mais um dos enigmas da vida
O amor e a amizade são seus companheiros,
Na caminhada todos se conhecem, e
No palco contracenam juntos
São aromas do sentimento
Diz-se que saudade é a ausência do essencial,
A raiz da árvore, que dá frutos, sem a água que lhe apaga a sede
O mar que sem suas ondas, se torna artificial
Os seus ingredientes, desconheço
Mas os seus efeitos são meus contemporâneos
A esperança, que se ergue no peito lusitano,
A fé, que se impõe ao nacionalista,
E a solidão, que pertence ao mendigo
Anseio pelo encontro entre a palavra e a sua natureza,
Pelo momento, em que a saudade virá à tona,
Pela tarde em que descobrirei,
O que por detrás de tanta musicalidade se esconde…

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