Na janela da escuridão do meu quarto
Encontro a luz que me leva ao sonho
Pela mão; não preciso de abri-la
Pior é depois voltar para o mundo da solidão
Já escureceu há algumas horas
O negro da noite contrasta com as luzes
Do candeeiro! E já sem demoras
Que é por pouco tempo que me liberto de meu cativeiro
O candeeiro de rua! E a minha janela
Mostram-me o amarelo de vidro
Destoante com o branco de tela
Das cortinas, de transparência o tecido
E pensar que é a noite escura
Com o candeeiro! que apagam
A escuridão e o vazio de minha natura
E mil ideias e sonhos se entusiasmam
Oh! Oh, que não preciso de fechar os olhos
Para outro sítio ver!
São instantes. Décimas, centésimas,
Milésimas de segundo em que posso ser
A outra eu com suas emoções acérrimas
Mais fortes e verdadeiras que as que consigo ter
Ah! Se eu pudesse viver sempre o sonho!
É que tão-somente nele sou alguém
Não é para sempre, é verdade,
Mas é o mais próximo que tenho de felicidade
No entanto ao acender a luz
As cores vão ficar fortes, desgastantes,
Doentias.
Minhas mãos ficam insignificantes,
Sem nada que as afoite
Odientas.
E perde-se o verdadeiro sentido da noite.
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