18.1.09

Na janela da escuridão do meu quarto

Encontro a luz que me leva ao sonho

Pela mão; não preciso de abri-la

Pior é depois voltar para o mundo da solidão


Já escureceu há algumas horas

O negro da noite contrasta com as luzes

Do candeeiro! E já sem demoras

Que é por pouco tempo que me liberto de meu cativeiro


O candeeiro de rua! E a minha janela

Mostram-me o amarelo de vidro

Destoante com o branco de tela

Das cortinas, de transparência o tecido


E pensar que é a noite escura

Com o candeeiro! que apagam

A escuridão e o vazio de minha natura

E mil ideias e sonhos se entusiasmam


Oh! Oh, que não preciso de fechar os olhos

Para outro sítio ver!

São instantes. Décimas, centésimas,

Milésimas de segundo em que posso ser

A outra eu com suas emoções acérrimas

Mais fortes e verdadeiras que as que consigo ter


Ah! Se eu pudesse viver sempre o sonho!

É que tão-somente nele sou alguém

Não é para sempre, é verdade,

Mas é o mais próximo que tenho de felicidade


No entanto ao acender a luz

As cores vão ficar fortes, desgastantes,

Doentias.

Minhas mãos ficam insignificantes,

Sem nada que as afoite

Odientas.

E perde-se o verdadeiro sentido da noite.